Por que o número importa mais aqui

Numa loja, o preço errado custa margem. Numa lista de espera, o preço errado custa o experimento inteiro, porque o preço é o instrumento de medição e não o resultado.

Um número baixo demais enche a lista de gente que nunca pagaria o valor real. Você comemora, constrói, lança pelo dobro e descobre que a lista inteira era uma amostra de outro público. Um número alto demais esvazia a lista e você conclui que ninguém quer a coisa, quando na verdade ninguém quer aquele preço.

A saída não é acertar de primeira. É escolher um número que você cobraria de verdade se o produto existisse amanhã, publicá-lo, e tratar a distribuição das respostas como o dado — e não o total de cadastros.

Quatro formas de chegar num número

Em ordem de quanto erram. A primeira é a mais comum e a pior.

  1. 1

    Olhar o concorrente e cobrar um pouco menos

    Você abre três sites, vê US$ 29, US$ 49 e US$ 79, e escolhe US$ 24.

    É a mais rápida e a que mais erra, porque copia o preço sem copiar o motivo dele. O concorrente de US$ 49 pode ter time de vendas, custo de infraestrutura ou um público que você não vai alcançar. Ancorar embaixo dele te coloca numa briga que você não escolheu.

  2. 2

    Somar seus custos e adicionar margem

    Infra, ferramentas, seu tempo, e um multiplicador em cima.

    Funciona para serviço e falha para software, onde o custo marginal é quase zero e o preço não tem relação com ele. Serve para descobrir o piso — abaixo daqui não faz sentido — e não serve para nada além disso.

  3. 3

    Precificar contra a alternativa que a pessoa usa hoje

    Quanto custa o jeito atual, medido em horas de alguém.

    A melhor das quatro. Se o problema hoje consome três horas por mês de uma pessoa que custa R$ 90 por hora, você sabe qual é o teto e sabe argumentar com ele. Quase todas as ideias deste site foram precificadas assim.

  4. 4

    Publicar dois preços e ver o que acontece

    Nível padrão e nível fundador, com uma diferença real entre eles.

    Não é teste A/B — é a mesma página com duas opções declaradas. O que interessa é a proporção: se quase ninguém escolhe o nível mais caro, o valor percebido está abaixo do que você imaginou, e isso aparece antes de qualquer linha de código.

Na prática, use a terceira para achar o número e a quarta para testar se ele para de pé. As duas primeiras servem apenas para descobrir o piso e o teto do intervalo em que você está brincando.

O que cada erro de preço produz

Os dois erros não são simétricos, e é por isso que 'na dúvida, cobre menos' é um conselho ruim aqui.

SituaçãoO que você vêO que realmente aconteceuCusto de descobrir depois
Preço baixo demaisLista cheia, sensação ótimaVocê atraiu um público que não é o seuAlto: você constrói a coisa errada
Preço alto demaisLista vaziaVocê testou o preço, não a ideiaBaixo: dá para republicar mais barato
Preço realistaLista média, com nível fundador ocupadoO sinal que você queriaNenhum
Sem preçoLista grande e inútilVocê mediu curiosidadeSó aparece no lançamento

A assimetria é o ponto: errar para cima é recuperável em uma tarde, errar para baixo só aparece meses depois, quando o produto já foi construído para o público errado.

Antes de publicar o número

Cinco verificações. A primeira sozinha já elimina a maior parte dos erros.

  • Você cobraria esse valor se o produto existisse amanhã?Se a resposta é 'não, eu cobraria mais depois de ter tração', o número na página é ficção e a lista que ele produzir também.
  • O número está comparado com a alternativa atual, em algum lugar da páginaPreço sozinho é abstrato. Preço ao lado de 'três horas por mês de alguém' é uma decisão que a pessoa consegue tomar.
  • Existe um nível mais caro que alguém possa escolherSem isso você não mede intensidade, só presença. E intensidade é a única coisa que separa lista de espera de pesquisa de opinião.
  • A página diz que o produto não existeCom todas as letras, acima da dobra. Ambiguidade aqui não é esperteza, é enganação, e queima o único ativo que você tem antes de lançar.
  • Você escreveu o que espera que aconteçaUm número, uma data, um nível. Escrito antes, não depois, porque depois todo mundo consegue explicar qualquer resultado.

Perguntas

Posso mudar o preço depois?
Pode, e provavelmente vai. O que não dá para desfazer é a lista que o preço antigo atraiu: aquelas pessoas responderam a outra pergunta, e continuar contando elas junto com as novas mistura duas amostras diferentes.
E se eu não fizer ideia do valor?
Comece pela alternativa atual medida em horas. Se nem isso você consegue estimar, o problema não é precificação — é que você ainda não entendeu o suficiente do problema para construir a solução.
Preço fundador é desconto ou promessa?
Nas páginas deste site é uma promessa: o valor fica travado enquanto a conta continuar aberta. Chamar de desconto e depois aumentar é a forma mais rápida de queimar as primeiras cem pessoas que confiaram em você.
Devo mostrar preço anual?
Só se você realmente pretende vender assim. Um preço anual publicado antes de existir produto é uma promessa de continuidade que você ainda não tem como fazer, e as pessoas percebem.

Me avise quando isso existir

No campo de contexto: qual foi o último preço que você inventou e como descobriu que estava errado.

Quanto você quer isso, de verdade?

Seu e-mail cai em um canal privado do Slack que só o Bruno lê. Ele não entra em lista de disparo, não é vendido e não vai para terceiros.