Cobrar por WhatsApp ou por e-mail

Seis critérios, um vencedor diferente em quase cada um, e uma regra que decide sem precisar da tabela.

A pergunta por trás da pergunta

Quem procura por isso quase nunca quer saber qual canal converte mais. Quer autorização. A dúvida real é posso mandar isso no WhatsApp sem parecer que estou invadindo a vida da pessoa? — e essa dúvida não se resolve com estatística de abertura.

A resposta prática é chata e funciona: cobre no canal onde o trabalho foi combinado. Se o projeto inteiro correu por WhatsApp, mandar a primeira cobrança por e-mail formaliza a relação de um jeito que soa como aviso de advogado. Se correu por e-mail com contrato assinado, aparecer no WhatsApp no primeiro dia de atraso lê como pressão desproporcional. O canal comunica antes do texto, e mudar de canal é uma mensagem em si — poderosa demais para ser gasta no primeiro lembrete.

É por isso que a régua de cinco passos deste projeto guarda a troca de canal para o fim. Os quatro primeiros passos ficam onde vocês já conversavam. O quinto muda, e muda de propósito: depois de trinta dias, a mudança de meio é a única informação nova que você ainda tem para dar.

Critério por critério

Nenhum canal vence em tudo, e os dois critérios que mais pesam são os dois últimos.

CritérioWhatsAppE-mail
Chance de ser lido hojeMuito alta; a notificação chega na tela de bloqueioMédia; depende da triagem da caixa
Chance de ser respondidoAlta, e com resposta curtaMenor, e com resposta mais elaborada
Serve como registro do que foi pedidoServe, mas fica misturado à conversa do projetoServe melhor: assunto, data, anexo, encadeamento
Encaminhável para o financeiroRuim; vira captura de telaFeito para isso
Custo de errar o tomAlto; entra na intimidade da pessoaBaixo; a distância é embutida no meio
Regras de uso comercialExistem, e valem a leitura antes de automatizarPraticamente nenhuma além de antispam

Leituras qualitativas, não medição. Quem tiver dados próprios de resposta por canal deveria confiar neles em vez desta tabela.

Qual canal usar em cada passo da régua

A sugestão embutida no produto, com o motivo ao lado. Vale igualmente para quem faz tudo na mão.

PassoCanal sugeridoPor quê
D−3, avisoO canal do projetoAinda não é cobrança; é agenda, e agenda mora onde a conversa mora
D+1, lembreteO canal do projetoTrocar de canal no primeiro dia de atraso já é escalada
D+7, a perguntaE-mail, mesmo que o projeto seja no WhatsAppAqui você quer o contato do financeiro, e financeiro vive no e-mail
D+14, escaladaE-mail com cópiaCópia é a única razão pela qual este passo funciona
D+30, último avisoOs dois, no mesmo diaA mudança de canal é a informação; o texto é quase secundário
DepoisLigaçãoSe trinta dias de texto não resolveram, mais texto não vai resolver

Fonte: Sequência padrão adotada por este projeto; cada passo é editável e o canal de cada um também.

A linha do D+7 é a que mais muda desfecho: é o momento em que a cobrança sai do fio da conversa criativa e vira um assunto com destinatário próprio.

Como mudar de canal sem parecer ameaça

A troca é a parte que dá mais medo. Três movimentos que a tornam previsível.

  1. 1

    Anuncie a troca antes de fazê-la

    Uma linha no passo anterior: se não der certo por aqui, eu mando por e-mail com cópia para o financeiro na semana que vem. Quando a troca chega, ela já foi combinada — deixa de ser surpresa e vira cumprimento do que você disse.

  2. 2

    Repita o conteúdo, não só o link

    Quem recebe pelo novo canal não vai atrás do histórico do canal antigo. Valor, número da nota, vencimento e forma de pagamento, tudo de novo, mesmo que pareça repetição. É repetição, e é necessária.

  3. 3

    Volte ao canal original assim que houver resposta

    No instante em que o cliente responde com uma data, a conversa volta para onde estava. Ficar no canal escalado depois que o problema andou transforma uma escalada pontual em mudança permanente de relação.

Três movimentos, e o efeito colateral desejado: a troca de canal continua valendo alguma coisa na próxima vez, porque não foi gasta à toa.

Perguntas frequentes

Cobrar por WhatsApp tem validade?
Mensagem trocada entre as partes é registro, e na prática funciona como prova de que o pedido foi feito. O ponto fraco não é validade e sim recuperação: achar a mensagem certa numa conversa de seis meses com áudio e arquivo é trabalhoso, e é aí que o e-mail ganha.
E se o cliente só responde no WhatsApp?
Então cobre no WhatsApp e mande a mesma coisa por e-mail no mesmo dia, sem comentar a duplicidade. Um canal produz a resposta, o outro produz o registro. Não é redundância; são duas funções diferentes.
Posso mandar áudio de cobrança?
Pode, e costuma funcionar bem em relação de confiança porque o tom aparece junto. Duas ressalvas: áudio não é encaminhável para o financeiro e não deixa registro fácil de conferir. Mande o áudio e escreva as duas linhas com valor e data logo abaixo.
Mandar nos dois canais ao mesmo tempo é agressivo?
No primeiro lembrete, é. No quinto, não — a essa altura a duplicidade é exatamente a mensagem. O erro comum é fazer isso desde o começo e não sobrar nenhuma escalada disponível quando ela for realmente necessária.